Escândalo do Master causa impacto em grandes clubes do futebol
As denúncias relacionadas ao Banco Master causaram impacto no Corinthians e no Palmeiras. No Corinthians, o episódio levou à busca de um substituto do fundo responsável pela gestão financeira da Neo Química Arena. No Palmeiras, a crise motivou a análise jurídica do contrato de patrocínio com o Grupo Fictor, que entrou com pedido de recuperação judicial depois se envolver na crise. O Atlético-MG também recebeu um investimento de um fundo ligado a Daniel Vorcaro, dono do Master.
As contas do Arena Fundo de Investimento Imobiliário, da Neo Química Arena, que eram administradas pela Reag, deixaram de ser pagas há mais de duas semanas. Isso travou os repasses a fornecedores ligados à operação do espaço. O fundo estava sob o guarda-chuva da Reag Trust, que teve os bens bloqueados com a liquidação decretada pelo Banco Central (BC) em 15 de janeiro.
O BC encaminhou relatório ao Tribunal de Contas da União em que é descrito um conjunto de operações realizadas pelo Master entre julho de 2023 e julho de 2024 que totalizam R$ 11,5 bilhões. Grande parte desse montante envolvia fundos administrados pela Reag.
Em nota, o clube do Parque São Jorge declarou que as medidas começaram a ser adotadas em agosto de 2025, depois da deflagração da Operação Carbono Oculto. A partir da reavaliação dos riscos regulatórios relacionados à administradora Reag, o Corinthians iniciou, antes da liquidação em novembro, tratativas para a substituição da administradora e da gestora do fundo, em conjunto com a Caixa Econômica Federal.
A diretoria executiva do Corinthians, em alinhamento com os responsáveis pela administração da Neo Química Arena, relata ter conduzido um processo formal de diligência e compliance. Depois, o clube encaminhou à Caixa Econômica Federal os nomes dos potenciais novos administradores e gestores, para análise técnica, condição necessária para a anuência à troca.
Recentemente, segundo o clube, a Caixa concluiu a avaliação das indicações feitas pelo Corinthians tanto para a nova administração quanto para a gestão do fundo operacional. Com a efetivação da transferência e depois da aprovação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), os procedimentos regulatórios serão finalizados.
O clube informou que considera ter cumprido todos os ritos exigidos, ao garantir que preservou as regras de governança e os interesses institucionais do Corinthians e da Neo Química Arena.
No Palmeiras, os reflexos da crise recaíram sobre um patrocínio. O departamento jurídico do clube passou a avaliar as medidas cabíveis em relação ao acordo firmado com o Grupo Fictor, patrocinador das equipes masculina, feminina e das categorias de base. A empresa entrou com pedido de recuperação judicial depois da repercussão de sua ligação com o Master.
Em nota, relata o portal g1, o Palmeiras informou: “O Palmeiras tomou ciência na manhã desta segunda-feira, 2, por meio da imprensa, do pedido de recuperação judicial realizado pelo Grupo Fictor”, declarou o clube paulista. “O caso está sob análise do Departamento Jurídico do clube para que sejam adotadas as medidas pertinentes.”
A parceria entre o Palmeiras e a Fictor teve início em março de 2025. O contrato tem duração de três anos, com possibilidade de renovação por mais um, e prevê o pagamento de R$ 30 milhões por temporada, sendo R$ 25 milhões fixos e R$ 5 milhões vinculados ao cumprimento de metas.
A marca da empresa aparece nas costas dos uniformes das equipes profissionais masculina e feminina e ocupa a posição de patrocinadora máster das categorias de base, já que casas de apostas não podem patrocinar equipes não profissionais.
Até o início de 2026, a Fictor vinha realizando os pagamentos previstos em contrato sem atraso. A empresa passou a ser citada no caso do Master em novembro, quando, de acordo com o portal, um de seus sócios liderou um grupo que apresentou proposta para adquirir a instituição financeira. O processo foi interrompido depois de o BC decretar a liquidação do banco.
Futebol e o caso Master
Em nota enviada à imprensa, a Fictor relatou que o episódio afetou sua reputação “por especulações que geraram um grande volume de notícias negativas, atingindo duramente a liquidez da Fictor Invest e da Fictor Holding”.
A empresa declarou ainda que, até o momento, não houve atrasos nos pagamentos e que a recuperação judicial “visa a equilibrar a operação e assegurar o pagamento dos compromissos financeiros”, estimados em cerca de R$ 4 bilhões.
Apesar da crise no mercado financeiro, o Palmeiras manteve o contrato com a patrocinadora, uma vez que não houve inadimplência. Procurada, a Fictor não informou se o pedido de recuperação judicial terá impacto direto na continuidade da parceria com o clube.
Além do Corinthians e do Palmeiras, o Atlético-MG é mais um clube impactado pelo caso Master. A Procuradoria-Geral da República (PGR) investiga movimentação de valores feita por Vorcaro, torcedor do Atlético-MG. Um fundo ligado ao Master investiu R$ 300 milhões na Sociedade Anônima do Futebol do Atlético-MG.
O fundo Astralo 95, relata o UOL, usado para investir no clube, está sob suspeita de desvio de dinheiro do Master. A assessoria do Atlético-MG declarou que o clube não integra a gestão do fundo e não tem ingerência sobre sua estrutura, operações financeiras nem cotistas.

