ELEIÇÕES 2026POLÍTICA

Diretórios do MDB assinam manifesto contra aliança com Lula

A maioria dos diretórios estaduais do MDB formalizou um movimento de resistência contra a tentativa do PT de atrair o partido para a chapa de reeleição do presidente Lula. Segundo informações do jornal Folha de S.Paulo, presidentes de 16 diretórios da legenda assinaram um manifesto a favor da neutralidade nas eleições presidenciais de 2026. O documento será entregue nesta terça-feira, 3, ao presidente nacional da sigla, deputado Baleia Rossi (SP).

O grupo busca desidratar a articulação de lideranças como o senador Renan Calheiros (AL) e o governador Helder Barbalho (PA), que defendem a indicação do vice de Lula pelo MDB. “Esse manifesto mostra que é absolutamente zero a chance de o MDB se coligar com o PT em nível nacional”, afirmou Daniel Vilela, vice-governador de Goiás e um dos líderes do movimento. Vilela assumirá o governo goiano em breve, com a renúncia de Ronaldo Caiado (PSD) para disputar a Presidência.

Reação a ataques do governo Lula

A mobilização emedebista também responde ao que o partido considera “ataques desarrazoados” do governo. Em carta enviada a Baleia Rossi, o diretório de Goiás criticou o fato de o MDB ser taxado como “golpista” até em desfiles de Carnaval patrocinados pela gestão petista. O texto afirma ser “inconcebível” que a sigla não manifeste insatisfação diante de tais episódios.

Além de Vilela, assinam o manifesto os prefeitos Ricardo Nunes (São Paulo) e Sebastião Melo (Porto Alegre), além de Newton Cardoso Jr. (Minas Gerais). O manifesto defende que cada seção estadual tenha autonomia para apoiar o candidato que melhor representar os interesses locais. Na prática, isso permitiria que diretórios do Sul, Sudeste e Centro-Oeste se aliem a nomes da direita, enquanto alas do Nordeste mantêm o apoio a Lula.

Medo de debandada na janela partidária

A cúpula do MDB contrária ao governo avalia que a aproximação com o PT prejudica o crescimento da legenda. De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, lideranças acreditam que a possibilidade de uma aliança formal com a esquerda afasta novas filiações e gera ruídos desnecessários. O movimento ocorre estrategicamente às vésperas da abertura da janela partidária, período em que deputados podem trocar de sigla sem perder o mandato.

O grupo de Daniel Vilela e Gabriel Souza (Rio Grande do Sul) pretende forçar a Executiva Nacional a assumir uma postura contundente contra o que chamam de “governo que promove o retrocesso”. Enquanto Renan Calheiros aposta que a coligação com o PT terá maioria de votos na convenção de junho, o manifesto das 16 estaduais tenta consolidar a imagem de um partido independente e fragmentado em suas bases regionais.

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