BRASILECONOMIA

Real perdeu 6 vezes mais poder de compra que o dólar desde 1994

A inflação do real foi cerca de 6 vezes maior que a do dólar desde o Plano Real, que entrou em vigor em julho de 1994. Desde então, a moeda brasileira perdeu poder de compra muito mais rapidamente que a norte-americana.

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acumulou alta de 775% no período. Já o CPI (Índice de Preços ao Consumidor) dos Estados Unidos subiu 122%.

O levantamento é do economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, feito a pedido do Poder360. O estudo considera a Ptax, taxa média de câmbio calculada pelo Banco Central, ao fim da 1ª semana de março de 2026.

Em julho de 1994, US$ 1 equivalia a R$ 1. Corrigido apenas pela inflação dos Estados Unidos, esse valor teria hoje poder de compra equivalente a cerca de US$ 2,22. Em outras palavras, se a inflação brasileira tivesse sido semelhante à norte-americana nas últimas 3 décadas, o dólar poderia estar hoje perto de R$ 2.

Infográfico mostra que inflação acumulada dos EUA levaria dólar a R$2,22

Já se o valor fosse corrigido apenas pela inflação acumulada no Brasil desde 1994, o dólar estaria em R$ 8,74. Na prática, a moeda norte-americana fechou a 2ª feira (9.mar.2026) em R$ 5,16.

Apesar de a inflação brasileira ter sido muito maior que a dos Estados Unidos, o dólar subiu menos do que a variação de preços no Brasil ao longo do período.

Infográfico mostra que inflação acumulada do Brasil levaria dólar a R$8,74

Se para manter hoje o mesmo poder de compra que US$ 1 tinha em julho de 1994 seriam necessários US$ 2,22 –valor corrigido pela inflação dos Estados Unidos– no câmbio atual, isso equivale R$ 11,45. 

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Além disso, caso o câmbio tivesse acompanhado integralmente a diferença de inflação entre os 2 países desde o início do Plano Real, a cotação poderia estar em R$ 19,40 atualmente.

Infográfico mostra trajetória mensal do dólar corrigido pela inflação do Brasil e dos EUA, de 1994 a 2026

MÉTODO E OBJETIVO DO LEVANTAMENTO

O exercício do economista Alex Agostini considera o dólar como se fosse um produto ou mercadoria, corrigido pela inflação. O cálculo desconsidera a dinâmica própria do câmbio.

Na prática, a cotação do dólar também é influenciada por fatores como:

  • risco-país
  • fluxo de entrada e saída de capital
  • política monetária
  • demanda por moeda estrangeira

Por isso, o levantamento corrige o câmbio apenas pela inflação acumulada no Brasil e nos Estados Unidos, sem incorporar essas variáveis. A forma mais utilizada pelos economistas para analisar o valor do dólar corrigido pela inflação é a taxa efetiva real de câmbio, que ajusta a cotação histórica pela variação de preços ao longo do tempo. Esse indicador permite identificar com mais clareza os períodos em que o dólar esteve relativamente mais caro ou mais barato em termos históricos.

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