Conflito entre blogueiros expõe disputa por verbas públicas e “prostitução” política em Lauro de Freitas
A tensão nos bastidores da comunicação digital de Lauro de Freitas atingiu um novo patamar nos últimos dias. Uma troca de acusações e ameaças, registrada em áudios vazados em grupos de WhatsApp, expõe uma briga feia entre blogueiros locais que orbitam o poder público municipal. O pano de fundo da confusão envolve acusações de dupla militância, perseguição, e, principalmente, disputa por dinheiro público.
No centro do furacão está Santana, do blog Cidade Já News, e Fernando Lima, do Tribuna de Lauro de Freitas. Em uma série de mensagens agressivas, ambos trocam ofensas de baixo calão e ameaças de morte, mas o que chama a atenção é o conteúdo político e financeiro da briga.
A acusação de “esquema” e o fantasma da oposição
Fernando Lima, em um longo áudio, acusa Santana de receber dinheiro de forma dupla e desleal. Segundo Lima, Santana estaria sendo pago mensalmente pela gestão da prefeita Débora Regis (com valores citados em torno de R$ 4 mil), mas simultaneamente continuaria recebendo repasses de Antônio Rosaldo Batista Neto, ex-candidato do PT na cidade.
“Esse moleque recebe todo mês dinheiro de Antônio Rosaldo. Essa semana passada recebeu dois mil e quinhentos reais. Fica mandando mensagem pra Moema Gramacho pedindo PI no governo do Estado”, dispara Fernando Lima, sugerindo que o blogueiro estaria operando como uma espécie de “infiltrado”, pegando informações da gestão para repassar à oposição.
A acusação levanta um ponto sensível na política local: a promiscuidade na relação entre o poder público e os chamados “blogueiros de vitrine”. Coincidentemente ou não, a maioria dos envolvidos nesta confusão tem um histórico de apoio ao grupo político que perdeu a eleição, mas que, na atual gestão, ainda mantém laços e recebimentos.
“Vagabundo” ou “perseguido”?
Em resposta, Santana gravou um áudio se defendendo e desafiando os acusadores. Ele nega estar foragido ou com medo, como afirmou Fernando Lima, que chegou a chamá-lo de “moleque que está foragido da Lagoa dos Patos porque mexeu com tráfico da área”.
“Eu tô aqui na minha residência. Não pago aluguel, não devo nada a ninguém. Cadê esse cara? Manda vir aqui me pegar”, rebate Santana, devolvendo as ameaças. “Eles vão responder, ou pelo bem ou pelo mal, mas vão responder pelas palavras de calúnia.”
O drama dos “sugadores” e o retorno político
Este episódio, no entanto, transcende a briga pessoal e acende um alerta sobre a imagem da gestão Débora Regis. O que se vê em grupos de discussão política da cidade é um coro de críticas não apenas aos blogueiros envolvidos, mas à própria Prefeita.
Moradores e eleitores questionam: qual o retorno político de se manter uma nomenklatura digital tão desgastada? Os blogueiros que hoje são pagos para divulgar as ações da gestão — muitos deles com histórico de ataques virulentos e linguagem grotesca — estão se tornando um fardo para a administração.
“É constrangedor. A gente vê figuras sem credibilidade, que vivem de sugadar o dinheiro público, seja no governo de Moema ou no de Débora, agora se digladiando porque um recebe mais que o outro ou porque um atende a oposição por fora”, comentou um morador em um grupo de WhatsApp. “O povo aprova isso? Será que a prefeita não percebe que alimentar esses perfis só traz vergonha e desconfiança para a gestão?”
Ameaças de morte!
O tom dos áudios não deixa dúvidas sobre o nível do conflito. Em determinado trecho, Fernando Lima faz ameaças explícitas: “Na hora que eu lhe pegar, seja homem pra assumir isso aí. Eu vou comer você vivo, porra. Vivo. Cê vai me pagar. Cê não sabe o tamanho da perversidade que eu vou fazer com você.”
Em resposta, outro interlocutor identificado como Xandão reforça o coro: “Se acalma que você vai explicar tudinho antes de descer à sepultura.”
A violência verbal escancara um ambiente onde a disputa por espaço e verba pública deixou de ser política e passou a ser tratada como questão de honra pessoal e territorial, com ameaças que remetem a códigos de conduta de facções criminosas, citadas inclusive nas acusações.
O que diz a gestão?
Até o momento a assessoria da gestão municipal não se manifestou oficialmente sobre os áudios. No entanto, os boatos nos bastidores indicam que os áudios já estão circulando entre auxiliares e aliados. A grande questão que fica é: até quando a gestão municipal vai tolerar ter seu nome associado a figuras que protagonizam cenas tão degradantes, e que, aparentemente, seguem com um pé no governo e outro na oposição, enquanto disputam migalhas do erário?
A população de Lauro de Freitas, cansada da baixa qualidade do debate público, assiste a mais um capítulo da novela dos “blogueiros de aluguel” — onde o único perdedor, até agora, parece ser a credibilidade da política local.

