PT não descarta lançar Haddad à Presidência
A cúpula do Partido dos Trabalhadores (PT) intensificou, nos últimos dias, as discussões sobre a possibilidade de lançar o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad à Presidência. A decisão depende da repercussão das trocas de mensagens entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Como mostrou Oeste, a hipótese de Haddad disputar o Planalto já circulava nos bastidores antes mesmo da crise que envolve Flávio. O caso, entretanto, acelerou as conversas internas e levou dirigentes a reavaliarem a estratégia eleitoral tanto nacionalmente quanto em São Paulo.
A avaliação de integrantes do PT é que os áudios e as mensagens atribuídos a Flávio podem produzir efeitos mais amplos sobre a direita, atingindo inclusive aliados do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Nesse cenário, petistas passaram a considerar que Haddad poderia se tornar um nome mais competitivo numa disputa presidencial do que numa nova corrida pelo Palácio dos Bandeirantes.
Essa percepção ganhou força depois de uma declaração proferida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta segunda-feira, 18, durante evento da Petrobras em Paulínia (SP). Ao lado de Haddad, o presidente afirmou que o ministro estaria pensando em alçar novos voos na carreira política. “O Haddad está pensando em dar um salto mais alto, que não posso dizer para quê, porque não posso falar”, disse Lula.
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Haddad no Planalto mudaria cenário em São Paulo
A eventual migração de Haddad para a disputa presidencial também alteraria os planos do partido em São Paulo.
Dirigentes petistas passaram a defender com maior intensidade o nome de Simone Tebet (PSB), ex-ministra do Planejamento, para a corrida ao governo paulista. A cúpula do PT acredita que Simone teria capacidade de dialogar com eleitores de centro e formar alianças fora do campo tradicional da esquerda.
Esse movimento ocorre enquanto o governo federal amplia sua ofensiva política em São Paulo. Nas últimas semanas, Lula intensificou agendas ao lado de Haddad no Estado, anunciou investimentos federais e reforçou ações publicitárias para associar obras e programas da União à gestão petista.
Na segunda-feira, Lula e Haddad participaram de anúncios ligados ao plano de investimentos da Petrobras, que prevê R$ 37 bilhões em São Paulo entre 2026 e 2030. A presidente da estatal, Magda Chambriard, destacou os aportes durante o evento.
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