BAHIAELEIÇÕES 2026

ACM Neto volta ao jogo com força e larga na frente em novo cenário político na Bahia

A sucessão ao governo da Bahia começa sob um clima completamente diferente daquele que marcou a eleição de 2022. Se há quatro anos o presidente Lula vivia um momento favorável e Rui Costa deixava o Palácio de Ondina com altos índices de aprovação, agora o cenário se inverteu, abrindo espaço para o retorno competitivo de ACM Neto (União Brasil).

Em evento que reuniu lideranças da oposição em Porto Seguro, no fim de dezembro, o ex-prefeito de Salvador confirmou que será novamente candidato ao governo estadual em 2026. O ato, marcado por forte simbolismo político e pela exaltação da memória de Antônio Carlos Magalhães, selou a largada de uma campanha que nasce embalada pela união do centro e da direita na Bahia.

Cenário favorável à oposição

Diferentemente de 2022, quando enfrentou divisões internas e a força do lulismo no estado, ACM Neto agora encontra um governo fragilizado. O governador Jerônimo Rodrigues (PT) chega ao ano eleitoral pressionado pelo aumento da violência, críticas à segurança pública e sinais claros de desgaste após duas décadas de hegemonia petista.

A avaliação negativa da gestão estadual cresce justamente em áreas sensíveis para o eleitorado, como segurança, serviços públicos e falta de respostas efetivas para problemas crônicos. O discurso de continuidade, que antes favorecia o PT, passou a pesar contra o grupo que comanda a Bahia há 20 anos.

União ampla e palanque nacional

Outro trunfo decisivo de ACM Neto é a reorganização do campo oposicionista. Partidos que antes caminharam separados agora atuam de forma coordenada. O PL, por exemplo, retomou o diálogo com o ex-prefeito, e o ex-ministro João Roma deve integrar a chapa como candidato ao Senado.

No plano nacional, o cenário também joga a favor. O centro e a direita avançam em unidade, tanto na Bahia quanto no Brasil. A consolidação do União Progressista, resultado da fusão entre União Brasil e Progressistas, promete formar o maior partido político do país. Nesse novo arranjo, ACM Neto assume o posto de vice-presidente nacional da legenda, ampliando seu peso político e sua capacidade de articulação.

Tarcísio no horizonte

O alinhamento nacional ganha ainda mais força com a projeção do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), como principal nome da oposição à Presidência da República. Tarcísio é tratado como o candidato natural de ACM Neto e do União Progressista, reforçando um palanque competitivo e robusto para 2026.

A estratégia contrasta com a do PT, que novamente aposta na nacionalização da disputa e no chamado voto casado com Lula. Desta vez, porém, o presidente não vive o mesmo momento político, e a transferência automática de votos já não é tratada como garantia nos bastidores.

PT dividido e Jerônimo pressionado

No campo governista, além da queda de popularidade, Jerônimo enfrenta problemas internos. A tentativa de montar uma chapa pura do PT ao Senado, com Rui Costa e Jaques Wagner (PT), ameaça rachar a base aliada e empurrar partidos tradicionais para fora do projeto.

O impasse com o senador Angelo Coronel (PSD), que não aceita ser descartado, expõe fissuras que fragilizam ainda mais o palanque petista. A promessa de compensações políticas não tem sido suficiente para conter o desconforto entre aliados históricos.

Eleição aberta, mas com vantagem clara

Com maior presença nas grandes e médias cidades, discurso afinado com o sentimento de mudança e uma oposição finalmente unificada, ACM Neto inicia a corrida em posição mais confortável do que na eleição passada. A lembrança de uma gestão bem avaliada em Salvador e a comparação direta com os problemas atuais do estado reforçam seu capital político.

Se em 2022 o PT venceu embalado por um ciclo favorável, agora ACM Neto entra na disputa com o vento a favor, um adversário desgastado e um cenário nacional mais receptivo ao discurso do centro e da direita. A eleição promete ser disputada, mas, desta vez, o favoritismo deixou de ser automático para o grupo que governa a Bahia há duas décadas.

Fonte: acessepolitica.com.br

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