MUNDOPOLÍTICA

Esquerda deixa o poder na Bolívia depois de quase 20 anos

O senador Rodrigo Paz, do Partido Democrata Cristão (PDC), foi eleito presidente da Bolívia neste domingo, 19, e encerrou quase duas décadas de domínio da esquerda no país. O resultado marca o colapso do Movimento ao Socialismo (MAS), legenda fundada por Evo Morales, que governou o país por quase 20 anos e, nas eleições de agosto, nem sequer chegou ao segundo turno. O cenário é tema da reportagem “Não chores por mim, Bolívia”, publicada em agosto na Edição 284 da Revista Oeste.

O texto, de Eugenio Goussinsky, destaca que o MAS vive seu “pior momento de crise, fragilizado, com tendências irreconciliáveis em vários casos, o que o levou a esse desgaste”, conforme avaliação do sociólogo Juan Carlos Nuñez, entrevistado pela reportagem. A derrota eleitoral ocorre em meio à pior crise econômica das últimas décadas, marcada por “filas para a compra de pão, gasolina e dólares” e pela queda das reservas internacionais do país.

A reportagem traz o fato de que o “milagre econômico” de Evo se desfez à medida que o país perdeu espaço no mercado regional de gás natural. As exportações do produto “despencaram de US$ 6 bilhões em 2014 para cerca de US$ 2 bilhões em 2022”, o que fez as reservas cambiais caírem de mais de US$ 10 bilhões para apenas US$ 50 milhões. A inflação chegou a 24% ao mês e o déficit público alcançou 95% do PIB em 2025.

Esquerda da Bolívia enfrenta queda histórica

Com a perda de apoio interno e denúncias de corrupção, Evo se afastou do poder, mas continuou como figura influente no MAS. Contra ele, pesa uma ordem de prisão por acusação de estupro contra uma adolescente de 15 anos, em 2016, além de diversas investigações sobre desvios de recursos públicos, contratos fraudulentos e envolvimento de aliados em esquemas de propina.

A ascensão de Paz, de 55 anos, é apresentada como símbolo da transição política no país. Ele obteve cerca de 30% dos votos no primeiro turno, “alcançados com baixo investimento e partindo de apenas 3% de intenção de voto no início de 2025”. Depois da vitória, declarou: “Precisamos fazer uma transformação para que a economia seja nossa, e não do Estado”.

O novo presidente derrotou no segundo turno o ex-presidente Jorge Quiroga, da Alianza Libre, e deverá tomar posse em 8 de novembro. A eleição marca o fim do ciclo iniciado em 2006, quando Evo chegou ao poder com a promessa de “justiça social e controle estatal sobre os recursos naturais”. Quase 20 anos depois, a reportagem conclui que Evo deve “assistir ao fim de sua era” e, possivelmente, “atrás das grades”.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *