Master pagou mais de R$ 25 mi ao Metrópoles, que fez repasse imediato a Luiz Estevão
O Banco Master transferiu ao site Metrópoles, comandado pelo ex-senador Luiz Estevão, R$ 27,2 milhões entre 2024 e 2025, segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A informação foi publicada nesta quarta-feira, 8, pelo jornal O Estado de S. Paulo.
Segundo a reportagem, os recursos, que tiveram como destino a empresa Metrópoles Marketing e Propaganda LTDA, estão sob análise por causa da movimentação considerada atípica para o porte da empresa.
Ao Estadão, Luiz Estevão disse que os valores correspondem ao patrocínio do Will Bank, então pertencente ao Master, para a Série D do Campeonato Brasileiro de 2025, além da comercialização dos naming rights (o direito de dar nome a espaços de eventos) do torneio. O ex-senador afirmou que a destinação dos recursos recebidos compete exclusivamente à empresa e negou as suspeitas sobre as transferências para firmas controladas por sua família.
No segundo semestre de 2024, dois repasses somaram R$ 838,8 mil. Entre janeiro e outubro de 2025, o restante da quantia foi transferido. O período coincidiu com turbulências no Banco Master: Daniel Vorcaro, proprietário da instituição, tentou negociar a venda para o BRB em março, enfrentou investigações por supostas fraudes financeiras e, em novembro, viu o banco ser liquidado pelo Banco Central. Vorcaro encontra-se preso pela Polícia Federal.
Suspeitas sobre patrocínio e cronologia dos acordos
Apesar das justificativas de patrocínio, o relatório do Coaf destaca que os pagamentos começaram em janeiro de 2025, mas a logomarca do Will Bank só passou a aparecer nas transmissões três meses depois do início do campeonato. O torneio teve início em 19 de abril de 2025, e somente em julho Metrópoles e CBF anunciaram o acordo sobre a transmissão dos jogos.
As primeiras partidas com exibição gratuita no YouTube aconteceram nos dias 5 e 6 de julho, durante a 11ª rodada da competição. O campeonato passou a ser denominado “Brasileirão Série D Will Bank” depois da negociação dos naming rights, marcando a primeira vez que a CBF comercializou os direitos sobre o nome da Série D. No entanto, a logomarca só apareceu nas placas centrais a partir de 26 de julho, na 14ª rodada, último compromisso da primeira fase, ou seja, mais de três meses depois do pontapé inicial.
Investigações e questionamentos sobre as operações financeiras
O Coaf justificou a comunicação ao identificar movimentações incompatíveis com o faturamento médio mensal do Metrópoles, além de transferências consideradas inusitadas e indícios de operações em benefício de terceiros, inclusive com pessoas politicamente expostas.
Luiz Estevão negou qualquer superfaturamento e afirmou que, por causa da liquidação do Master, parte dos pagamento nem sequer foi quitada. “O valor foi maior. Eles não pagaram tudo. Ainda estão devendo dinheiro e estamos atrás de receber”, disse. “O valor não está nada fora. E ainda temos que comprar os direitos da CBF, que não disponibiliza gratuitamente, não.”

