CORRUPÇÃOPOLÍCIA

PF investiga Rioprevidência por investimentos irregulares de quase R$ 1 bi no Banco Master

Diretores do Rioprevidência estão no centro de uma investigação da Polícia Federal, que apura suspeitas de operações financeiras consideradas irregulares. O fundo, responsável pelo pagamento de aposentadorias e pensões a aproximadamente 235 mil servidores inativos do Rio de Janeiro, investiu quase R$ 1 bilhão em Letras Financeiras do Banco Master, conforme detalhou a PF.

As investigações começaram em novembro de 2024, com foco em nove operações realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024. A Polícia Federal explicou que o objetivo é “apurar a suspeita de operações financeiras irregulares que expuseram o patrimônio de autarquia (…) a risco elevado e incompatível com sua finalidade”.

Irregularidades apontadas no Rioprevidência

No ano passado, o portal g1 revelou que o Rioprevidência investiu R$ 2,6 bilhões em fundos vinculados ao grupo do Banco Master entre 2024 e 2025, aproveitando condições de taxas consideradas mais vantajosas em relação a concorrentes. O Tribunal de Contas do Rio de Janeiro (TCE-RJ) já havia chamado a atenção para “graves irregularidades” em maio e, em outubro, determinou a suspensão de novas aplicações no Master.

O conselheiro do TCE-RJ, Jose Gomes Graciosa, declarou: “Chega de decisões sem transparência, chega de colocar em risco a aposentadoria daqueles que colaboraram com a construção deste Estado”. O Rioprevidência, por sua vez, afirmou que o valor efetivamente aplicado foi de cerca de R$ 960 milhões em Letras Financeiras emitidas entre outubro de 2023 e agosto de 2024, com vencimento previsto para 2033 e 2034. O fundo também informou que negocia a troca desses títulos por precatórios federais.

De acordo com o TCE-RJ, os recursos investidos vêm de descontos em folha dos servidores estaduais, com o objetivo de garantir a sustentabilidade do sistema previdenciário. O órgão determinou que o Rioprevidência não realize novos investimentos em produtos do Banco Master ou de outras instituições que não sigam critérios de segurança e prudência financeira.

Aprofundamento das investigações da PF e rentabilidade dos investimentos

O Tribunal já havia solicitado esclarecimentos aos gestores em maio e constatou agravamento das irregularidades desde então. Entre os exemplos citados está o aporte de mais de R$ 1 bilhão no Arena Fundo de Investimento, que começou suas operações em dezembro de 2024 e recebeu o primeiro aporte de R$ 50 milhões do Rioprevidência logo no início. O fundo estadual permaneceu como único cotista, realizando sucessivos investimentos.

A rentabilidade média do fundo ficou em 4,05%, abaixo da poupança (5,47%) e distante do CDI (9,31%). Segundo os técnicos do TCE-RJ, isso evidencia a “ausência de vantajosidade” das aplicações. Também foram identificados aportes superiores a R$ 300 milhões em títulos sem informações detalhadas, além de um investimento de R$ 100 milhões em junho, reduzido a R$ 75 milhões no mês seguinte, indicando, para o Tribunal, indícios de má gestão dos recursos previdenciários.

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