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Vorcaro entrega delação na próxima semana, diz jornal

A defesa de Daniel Vorcaro conclui neste fim de semana a proposta de delação premiada que apresentará à Polícia Federal (PF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo o jornal O Globo, os advogados entregarão o pacote com dezenas de anexos na próxima semana. O ex-dono do Banco Master tem pressa e projeta assinar o acordo em 15 dias para começar os depoimentos imediatamente.

Uma força-tarefa com dez advogados organiza o material em Brasília, informa a coluna de Malu Gaspar. O grupo analisa dados de celulares periciados e busca provas que confirmem os crimes relatados pelo empresário. Vorcaro pretende usar o pagamento de multas bilionárias como principal trunfo para conseguir benefícios judiciais e deixar a prisão.

Medo de saque em contas secretas

A pressa do ex-banqueiro possui um motivo financeiro. Segundo o jornal, investigadores acreditam que Vorcaro ainda mantém mais de R$ 10 bilhões escondidos em fundos internacionais. O ex-dono do Master teme que os gestores dessas contas, criadas justamente para fugir do rastreamento oficial, estejam desviando o dinheiro enquanto ele segue isolado na carceragem.

O valor do ressarcimento será o principal ponto de conflito com a PF e a PGR. A fraude nas carteiras de crédito vendidas ao Banco Regional de Brasília atinge R$ 12,2 bilhões, além de desvios em fundos de pensão que seguem sob investigação. Segundo o veículo, os agentes duvidam de uma colaboração total e imediata, o que pode travar o cronograma otimista da defesa.

Rombo bilionário no Master

O liquidante do Banco Master, Eduardo Bianchini, estima que R$ 4,8 bilhões em bens e investimentos sumiram antes de o Banco Central intervir na instituição. Esse dinheiro deveria garantir o pagamento de credores. Vorcaro tenta fechar o acordo logo que entende ser essa a única forma de preservar o que resta de seu patrimônio oculto.

O ex-dono da instituição permanece detido na Superintendência da PF em Brasília depois de passar duas semanas em uma penitenciária federal. A defesa alega que o isolamento total agravou a tensão do cliente sobre a dispersão de sua fortuna. O objetivo agora é garantir a liberdade antes que a rede de fundos no exterior seja totalmente “depenada” pelos operadores.

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