Filho de Gilmar Mendes é dirigente esportivo em MT e tem forte influência na CBF
Movimentações recentes no futebol de Mato Grosso colocaram Francisco Schertel Mendes, diretor-geral do IDP e filho do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes, como vice-presidente da federação local. Ele foi eleito em dezembro numa chapa encabeçada por Diogo Amorim Pécora, advogado ligado à Assembleia Legislativa estadual e ex-presidente do tribunal desportivo regional.
A eleição para a Federação Matogrossense de Futebol contou com forte influência do presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), Luís Otávio Veríssimo, que possui histórico de ligação com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e apoio do grupo que controla o órgão. A presença da CBF também foi determinante para o resultado favorável à chapa vencedora.
Protagonismo de Francisco Mendes e influência nacional

Francisco Mendes, que até então atuava discretamente nos bastidores, passou a ter papel destacado em eventos esportivos. Ele liderou delegações de dirigentes por cidades da Inglaterra, da Alemanha e da Espanha, onde discursou em nome do grupo mato-grossense.
No cenário estadual, Francisco impulsionou a adoção do VAR no campeonato local e colaborou para um novo acordo de transmissão dos jogos. Na CBF, seus indicados participam dos projetos de modernização do futebol nacional. Por viver em Brasília, ele registrou o endereço na capital federal nos documentos da chapa estadual.
A presidência da FMF ficou com Diogo Pécora, que, desde janeiro de 2025, atuava como assessor parlamentar e presidia o tribunal desportivo estadual. Com salário mensal de R$ 12 mil, Pécora afirmou a uma rádio local seu “alinhamento com a CBF” e que as decisões seriam “colegiadas com o grupo, que foi montado e com a participação de todos os vices”.
Pouco antes da eleição, Pécora se reuniu com Samir Xaud, presidente da CBF, em São Paulo, e declarou publicamente o apoio recebido. “Conseguimos receber e fidelizar o apoio do Samir para um projeto de renovação que será implementado na Federação Mato-Grossense”, disse. “Seguiremos a linha que ele vem fazendo a nível de Brasil, com muita capacidade, qualidade, mudando de fato a cara do futebol brasileiro.”
Parcerias institucionais e contratos milionários

A relação entre o IDP e a CBF começou em agosto de 2023, quando fecharam contrato de dez anos para o instituto administrar a CBF Academy, responsável por cursos de formação no futebol. Francisco Mendes assinou o acordo com Ednaldo Rodrigues, então presidente da confederação.
Em 2024, a CBF Academy arrecadou R$ 5,9 milhões, enquanto em 2023 o valor foi de R$ 9,2 milhões. O contrato determina que 84% da receita fique com o IDP e 16% com a CBF. Os números de 2025 ainda não são públicos.
Luís Otávio Veríssimo, presidente do STJD, esteve presente em Mato Grosso para apoiar a chapa vitoriosa. Ele promoveu sessões itinerantes do tribunal em Cuiabá, alegando “aproximar a Justiça Desportiva das diversas realidades regionais”, o que fortaleceu a imagem de Diogo Pécora entre as federações.
Embora representantes de Samir Xaud neguem envolvimento direto da CBF na eleição, a estrutura da confederação contribuiu para a vitória da chapa liderada por Pécora e Francisco Mendes. Quem solicitou oficialmente a sessão itinerante do STJD foi Luciano Hocsman, presidente da Federação Gaúcha de Futebol, que também teve papel decisivo como interventor em MT depois da judicialização da disputa.
