Secult deixa Mata de São João de fora da Rota da Independência e gera questionamentos
A divulgação da “Rota da Independência” pela Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (Secult) provocou reação imediata em Mata de São João. O município ficou de fora da lista oficial, mesmo com registros históricos e reconhecimento recente em eventos ligados ao 2 de Julho.
O roteiro divulgado inclui cidades como Cachoeira, São Félix, Maragogipe, Jaguaripe, Itaparica, Saubara, Santo Amaro, São Francisco do Conde, Candeias, Simões Filho, Lauro de Freitas, Salvador, Feira de Santana, Irará, Pedrão, Governador Mangabeira, Valença, Cairu, Itacaré, Lençóis, Rio de Contas e Caetité.
O que chama atenção é que Dias d’Ávila, município vizinho com 41 anos de emancipação, aparece na lista oficial — enquanto Mata de São João, com apontamentos históricos relevantes e ligação direta com o processo de independência, foi ignorada.
A exclusão gera ainda mais estranheza ao se considerar que Mata de São João teve participação oficial nas celebrações recentes do 2 de Julho. Em 2025, a cidade integrou a rota Norte do Fogo Simbólico, com cerimônia e condução da tocha, reforçando seu reconhecimento dentro do contexto histórico da Independência da Bahia. Desde 2023, o município já vinha sendo incluído nesse circuito simbólico.
Além disso, interpretações historiográficas apontam o território como estratégico durante os conflitos, funcionando como base de reorganização de tropas e articulação de forças, com participação de indígenas, caboclos e libertos. A região também está ligada à área da histórica Casa da Torre, considerada um ponto importante nas movimentações militares da época.
Diante desse cenário, a decisão da Secult levanta questionamentos: quais critérios foram utilizados para definir os municípios da rota? E por que um território com participação reconhecida, inclusive pelo próprio Estado em anos recentes, ficou de fora?
A polêmica expõe um debate maior sobre a construção da memória oficial da Independência da Bahia. Para especialistas e moradores, não se trata apenas de um roteiro cultural, mas de reconhecimento histórico e valorização de territórios que contribuíram para o processo.
Até o momento, a Secult não detalhou os critérios adotados para a definição da Rota da Independência. Enquanto isso, cresce a cobrança por uma revisão que contemple de forma mais ampla os municípios envolvidos na história.

